sábado, 9 de outubro de 2010

carta escrita no presencial

Alexânia-GO, 07 de agosto de 2010.



Professora Patricia,



Eu cidadã brasileira moradora da cidade de Taguatinga no Distrito Federal, sou moradora ocupante de uma casa de fundos em Taguatinga Norte Quadra Norte “A” nº 27, trabalhadora em uma outra cidade dentro do Distrito Federal por nome de Samambaia, sou cidadã que pago meu impostos, que ando pelas ruas sem prestar muita atenção aos detalhes sei o nome de ruas, mas nem sempre lembro o que existe ali, andamos de um lado a outro na busca de suprir necessidades, como comprar, pagar contas, ir a cinema, shopping, estou sempre em minha cidade, mas na realidade poucas coisas da cidade estão em mim.

Conheço pouco de sua história, necessidades, expectativas, na verdade sou algo que transita na cidade, mas na verdade não permito que a cidade transite por mim.

Esta oportunidade foi uma das poucas vezes que me oportunizei em pensar na cidade em que moro. Não me ligo muito as pessoas. Vizinhos, trasuantes, pessoas alegres, tristes, sonhadoras ou não muita das vezes nem as vejo.

Estranho esse momento, me pergunto o que faço na cidade que moro? O que minha cidade faz por mim?Na verdade não sei responder. Mas já é um início essa carta talvez me leve a um olhar diferenciado de hoje em diante.





Janete Teixeira Cortez de Morais

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Poema de Sete Faces (Carlos Drummond de Andrade)

Estou passando somente para compartilhar esse poema, pois eu estou hoje meio assim como ele,
se é que vocês me entendem...
 
Poema de Sete Faces (Carlos Drummond de Andrade)

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

 As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo, vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.